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19/12/2019

BALANÇO ECONÔMICO 2019/2020 REALIZADO PELO ECONOMISTA IGOR MORAIS

BALANÇO ECONÔMICO 2019/2020 REALIZADO PELO ECONOMISTA IGOR MORAIS

“O cenário econômico brasileiro em 2019 teve melhora significativa a partir da aprovação da Reforma da Previdência, com aumento das expectativas de empresários e investimentos e maior gasto das famílias em um ambiente de inflação e juros menores”, afirma o economista Igor Morais, em recente palestra sobre o Balanço Econômico 2019-2020, no Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha no Estado do Rio Grande do Sul (SINBORSUL), sob a presidência do empresário Gilberto Brocco. “Os sinais de que a economia teve uma retomada são nítidos em indicadores do mercado de trabalho, crédito, confiança e da atividade de alguns segmentos produtivos, em especial a construção civil.

 

O economista-chefe Igor Morais, da Vokin Investimentos, é consultor econômico do SINBORSUL e sócio-fundador da 4Labs, empresa de Inteligência Artificial. Com pós-doutorado em inteligência artificial, pela universidade da Califórnia, possui livros e artigos publicados sobre economia e finanças.

 

Segundo o economista, os dados de fechamento do terceiro trimestre de 2019 sinalizam que, ao menos para a indústria total, a maior e mais intensa crise que o setor já viveu ficou para trás. Apesar do crescimento tímido de 0,3% no período para a indústria total (indicador que reúne os resultados da indústria de transformação e da extrativa), é o primeiro resultado positivo em um ano. Por outro lado, filtrando apenas os dados da indústria de transformação, o cenário ainda se mostra desafiador, com o terceiro trimestre tendo uma queda de 0,6% na produção sobre o trimestre imediatamente anterior.

 

“Dentro do segmento metalmecânico, o mais importante demandante de produtos do setor de borracha, destacamos os bons resultados da produção de máquinas e materiais elétricos e, ainda patinando, de máquinas e equipamentos”, registra Igor. Analisando os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), podemos ver que o desafio do setor industrial ainda é grande. No ano o faturamento do setor cai 1,7%, o emprego se retrai 0,3% e a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), está com média de 78, bem abaixo de um nível considerado normal e que demandaria projetos de investimentos.

 

“Da mesma forma que verificamos na produção, podemos ver que o cenário aqui é bem heterogêneo com quedas significativas no faturamento em atividades como Coque e derivados de petróleo, produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos, produtos alimentícios, têxteis e químicos. De outro lado, destaque para os bons números no segmento de móveis, couro, madeira, celulose, produtos de metal, veículos e, inclusive, produtos de borracha e plástico”, enfatiza.

 

Borracha no Contexto Nacional – “O segmento de produção de borracha está ligado diretamente a indústrias demandantes como fabricação de veículos automotores, caminhões, ônibus, tratores e motos, setor de autopeças e máquinas e equipamentos. Isso para citar apenas alguns. Nesse caso, vemos que a produção de borracha possui uma boa ligação com a taxa de investimento e também com a indústria de bens intermediários. Nesse caso, a produção de bens de capital, onde entram tratores, caminhões, ônibus e demais máquinas e equipamentos, até ensaiou uma alta no segundo trimestre do ano, mas, os números do terceiro trimestre revelam uma ligeira queda que acabou se refletindo no setor de borracha”, analisa Igor.

 

Já na indústria de bens intermediários a retração tem sido mais intensa e duradoura. O segmento caiu nos últimos quatro trimestres, tendo sido a queda do terceiro trimestre a mais intensa.

 

“De outro lado podemos também citar o segmento de bens duráveis, outro importante demandante de produtos de borracha, mas, principalmente, de forma indireta como a indústria de pneumáticos. Nesse caso, o maior responsável pelo resultado mais tímido foi a indústria automobilística, com a menor dinâmica na produção e exportação de veículos. Por fim, a penetração da indústria de borracha no segmento de produtos semi e não duráveis é bem menor”, salienta.

 

Em resumo, de acordo com os indicadores do setor de borracha “podemos constatar que o movimento de alta da produção perdeu fôlego, na esteira do ocorrido na indústria total”, destaca Igor. “Uma parte disso pode ser explicada pela queda das exportações, que atingiram um dos segmentos mais importantes da cadeia de indústrias, que demandam do setor de borracha. O movimento recente deixa antever que a desaceleração deve ainda ter curso pelos próximos meses, ao menos até o final do primeiro trimestre de 2020 quando, então, poderemos visualizar uma retomada da produção no segmento”.

 

Segundo o economista, “a melhora no sentimento das condições atuais da economia bem como com o cenário futuro, por parte dos empresários do setor, deixa antever um ano de 2020 no mínimo melhor que o verificado em 2019. O maior risco no horizonte seria um aprofundamento da crise na Argentina e que pudesse deprimir ainda mais as exportações para aquele País, seja de produtos diretamente ou então via cadeia produtiva, em especial no segmento de veículos. Porém, vale destacar, boa parte da retração na demanda por exportações do Brasil já ocorreu em 2019, deixando pouco espaço para quedas ainda mais significativas em 2020”, registra Igor.

 

Em resumo, a indústria do Rio Grande do Sul experimentou, no período pós impeachment, uma rápida recuperação alicerçada, em especial, nas exportações e na produção de veículos. Mesmo diante da queda recente na dinâmica industrial gaúcha, é possível ver que os empresários seguem aumentando a confiança na situação atual e nas perspectivas, o que pode se refletir, ainda em 2020, em melhores resultados para investimentos e produção.

 

Setor de Borracha no RS - Na opinião do economista, o movimento do mercado de trabalho no segmento de borracha acompanhou a produção, com início das contratações ainda em 2016 e fim desse processo em meados de 2018. O indicador de emprego da FIERGS mostra que há uma queda de 2,5% nos empregos no segmento nos últimos 12 meses, em linha com a retração da produção, mas um movimento contrário ao verificado no faturamento. Veja que as horas trabalhadas apresentam uma dinâmica recente distinta do indicador de emprego. Apesar da queda de 0,7% em 12 meses terminados em setembro de 2019, a mesma sinaliza tendência de melhora. Ou seja, o segmento parece que está, aos poucos, retomando as horas trabalhadas, mas esse movimento ainda não se refletiu nas contratações, algo que pode ocorrer ainda no primeiro semestre de 2020.

 

“A composição de diversos indicadores que medem a performance do segmento de borracha resulta no Índice de Desempenho Industrial (IDI). Analisando o mesmo podemos ver que, no agregado, a indústria da borracha do RS está em uma dinâmica estável há pelo menos dois anos. Considerando os resultados da pesquisa de confiança, que revelam que os empresários do segmento estão muito mais confiantes no cenário econômico atual e também nas expectativas, é natural imaginar que os indicadores possam apresentar melhora a partir dos próximos meses”, avalia Igor.

 

Boa parte da performance do segmento de borracha do Rio Grande do Sul pode ser explicada pelas exportações, registra. “Quando medida em dólares podemos ver que a mesma se encontra ainda em patamar baixo, de US$ 296 milhões em 12 meses terminados em outubro de 2019. Um valor bem menor do que os US$ 371 exportados ainda em 2014, momento imediatamente anterior a crise da Argentina e também ao inicio da maior e mais intensa recessão já vivida pela economia brasileira.

 

“Em resumo, podemos ver que o segmento de borracha do Rio Grande do Sul experimentou um momento cíclico de recuperação da produção, faturamento, exportações e geração de empregos que durou entre o final de 2016 e meados de 2018”, destaca. Desde então é possível notar um arrefecimento de diversos indicadores, em linha com o observado também para o Brasil. O que se desenha para os próximos meses é uma continuidade desse processo, mas com tendência de reversão ainda no primeiro semestre de 2020, seguindo a recuperação da atividade econômica que já está em curso no Brasil.

 

 

 

Neusa Medeiros

Jornalista - Reg. Profissional nº 5.062

Assessora de Imprensa do SINBORSUL

Edição 3 - Comunicação Empresarial Ltda.

BALANÇO ECONÔMICO 2019/2020 REALIZADO PELO ECONOMISTA IGOR MORAIS
BALANÇO ECONÔMICO 2019/2020 REALIZADO PELO ECONOMISTA IGOR MORAIS

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